Valdi Junior, editor do AlagoasNegócios, graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas, com 13 anos dedicados ao jornalismo econômico e consultor senior da GQtech Tecnologia e Gestão, onde desenvolve os diagnósticos das principais cadeias e arranjos produtivos de Alagoas. Valdi Junior analisa as últimas notícias dos bastidores do mercado.
Após mais um encontro entre empresários de diversos segmentos e técnicos da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), o órgão decidiu suspender a Lei 5.594, de 13 de março de 2007, pelo prazo de 30 dias. Durante esse prazo, a SMTT deverá apresentar a contagem volumétrica, que é um estudo técnico no qual vai apontar o número de caminhões que trafegam nas avenidas Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro. A reunião entre empresários e a superintendência aconteceu na manhã de hoje (07), na sede do órgão.
A Lei 5.594 proíbe a circulação de caminhões, tratores e máquinas, acima de 5 toneladas, no trecho que compreende a Praça Centenário, no bairro do Farol, até o posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no Tabuleiro, das 6h às 20h. Inicialmente, a lei deveria ter sido colocada em prática no último dia 5. Essa decisão chegou a ser prorrogada para o próximo dia 12, mas diante da reunião realizada hoje foi concedido o prazo de 30 dias.
A reunião de hoje foi a segunda entre empresários e SMTT esta semana. A primeira aconteceu na última segunda-feira (05), quando foi composta uma comissão formada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio/AL), Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Associação Comercial de Maceió, Sindicato dos Distribuidores de Combustíveis (Sindcombustíveis), representantes de transportadoras de cargas, entre outros, para representar todos os empresários de Maceió.
A reunião ocorrida hoje iniciou sem a presença do superintendente da SMTT, coronel Jorge Coutinho, que chegou uma hora após o início da reunião, prevista para as 11h, e acompanhado pelo vereador Galba Novaes (PRB), líder do governo na Câmara Municipal de Maceió, e autor do projeto.
Após justificar o atraso, uma reunião com o prefeito de Maceió Cícero Almeida (PP), Coutinho abriu espaço para perguntas. Um dos primeiros questionamentos foi do presidente da Fecomércio, Wilton Malta, que perguntou se a SMTT ou o vereador Galba Novaes teriam realizado algum estudo técnico.
O questionamento de Malta é para saber se a lei estaria fundamentada, ou seja, se a proibição realmente traria fluidez do trânsito nas áreas em questão. Os empresários queriam saber ainda se foi avaliado que a medida poderia resultar no desabastecimento de vários produtos na cidade e o aumento do custo desses produtos para o consumidor.
Segundo os empresários, caso a lei entre em vigor dessa forma, o valor do frete ficará mais elevado. A lei vai obrigar ainda os empresários a ter um terceiro horário de funcionamento, ou seja, vai implicar em mais custos que fatalmente chegará ao consumidor final. Os empresários expuseram ainda outras preocupações, caso a lei entre em vigor conforme o projeto original.
Galba explicou que há quatro anos várias pessoas foram ouvidas um dia por uma rádio da cidade, no período das 6h às 9h, e afirmaram que a retirada desses veículos contribuiria positivamente para o desafogamento do trânsito. “Não pensamos em atingir classe nenhuma. Pensamos em melhorar a qualidade de vida da população, mas sem trazer prejuízos”, afirmou Galba. Ele disse ainda que vai aceitar o que for colocado pela SMTT por se tratar de um órgão técnico que tem total condições de se posicionar sobre a melhor alternativa para o trânsito nas avenidas Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro.
De acordo com Coutinho, a contagem volumétrica vai possibilitar ao município identificar a quantidade de veículos por categoria. Dessa forma, saber se os caminhões estariam ou não atrapalhando o trânsito nas avenidas.
Números – A Fecomércio apresentou números do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/AL) no qual a frota em Maceió saltou de 130.776, em 2006, para 188.534, em 2010. Os dados referentes a este correspondem até o mês de março. Isso representa um aumento na frota de Maceió de 44,17%. No Estado, em 2006, a frota era 274.995. Já em março de 2010, passou para 395.287.
O presidente da Fecomércio/AL, Wilton Malta, afirmou que o setor empresarial não vai se negar a contribuir para a melhoria do fluxo de veículos da cidade, mas não poderia deixar de alertar sobre a necessidade de mudanças dessa lei para evitar impactos negativos na economia local.
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