A visita de D. Pedro II ao rio São Francisco, fez parte da viagem às províncias do norte onde passou pela Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba que durou cinco meses.
A idéia partiu da Princesa D. Francisca (sua irmã) e do Visconde de Porto Seguro, que viam nessa viagem a oportunidade de se estreitar os laços entre as províncias da região, principalmente a de Pernambuco que se encontrava dividida devido à revolução Praieira. Essa visita fortaleceria a monarquia, com isso preservava a unidade nacional. Ficou definido que nessa viagem seriam concedidos títulos nobiliárquicos, condecorações e outras honrarias com intuito de prestigiar as lideranças locais.
Com 19 anos à frente do governo, e 34 anos de idade, D. Pedro II tinha enfrentado revoltas no Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.
Finalmente no dia 01 de outubro de 1859, parte o Imperador do Rio de Janeiro sob entusiasmadas manifestações da população. A frota era composta pelos vapores Apa e Amazonas, a corveta Paraense e a canhoneira Belmonte, sob o comando do Vice-Almirante Joaquim Marques Lisboa, futuro Barão de Tamandaré.
O casal imperial chega a Salvador no dia 06 de outubro, onde no dia 11, D. Pedro II ruma ao rio São Francisco. Ao final da tarde do dia 13 de outubro, a bordo do vapor Apa chega à foz São franciscano, sendo recebido pelos Presidentes Souza Dantas de Alagoas e Cunha Galvão de Sergipe. A recepção foi acompanhada de banda de música, fogos, vivas e outras.
O Imperador que ficou a bordo do navio, recebeu os dois Presidentes que sentaram a mesa imperial durante o chá servido. O Imperador recomendou para que todos estivessem prontos às 5:00 horas da manhã do dia seguinte, pois pretendia sair cedo para visitar a primeira povoação: Piaçabuçu.
D. Pedro II na ida visitou Penedo (dias 14 e 15), Vila Nova, hoje Neopolis (dia 15), Própria, Porto Real do Colégio e Sã Braz (dia 16), Traipu, Curral dos Bois, atual Gararu, e Pão de açúcar (dia 17), Piranhas (dia 18). A partir daí a viagem por terra foi feita ao lombo de cavalo, onde dormiu em Olhos D’água do Casado (dia 19). Segue para Talhado, Salgado e finalmente ao amanhecer do dia 20 de outubro conhecia as cachoeiras de Paulo Afonso.
Ao alvorecer do dia 21 de outubro, a comitiva reinicia a viagem de volta, onde visitou Entre Montes, Ilha de São Pedro, onde manteve encontro com os índios Xocós e o Frei Doroteu, passou em Limoeiro, Lagoa Funda, Barra do Panema e outras localidades. Chegou a Penedo no dia 24 pela manhã, já a tarde do mesmo dia o Imperador partiu.
D. Pedro II nessa viagem anotou em seu diário os mínimos detalhes que achasse interessante, tais como:
Em Traipu sentiu a curiosidade do povo pelo navio em que ele viajava e por sua pretensa riqueza. O seu mordomo Jacobino disse que a população queria conhecer os cavalos;
Ao chegar no Salgado, por volta das 8:00 da noite, foi obrigado a ficar em exposição por muito tempo, dando beija-mão, porque todos gritavam – queremos vê-lo – traze luz – acende o facheiro.
De retorno da viagem de Paulo Afonso, ao visitar a escola na Vila Lagoa Comprida, hoje Lagoinha (Delmiro Gouveia), os alunos o receberam com muito entusiasmo e gritando – “Viva o Imperador que não heide mais vê-lo – outro replicou – por que não, já conhece o caminho.”
Há exatamente 150 anos D. Pedro II fez essa viagem à região estuária do rio Opara dos Índios, que os canoeiros chamam “Viagem Barra-Barra”, o que até hoje nenhum outro governante de Alagoas ou Sergipe fez. Isso prova a sua determinação, sua visão como homem público de conhecer a realidade das regiões do Brasil, e por fim como desejou, promover a integração entre elas e consequentemente combater a suas desigualdades que continuam sendo o grande entrave para o desenvolvimento do nosso país.
Inácio Loiola
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